
Essa coisa chamada destino é estranhamente imprevisível. Quem iria imaginar que tudo começou em um boteco, quando eu apreciava um café, com um cigarro entre os dedos e xingando de revolta com o noticiário da TV.
Saio do trabalho estressado e vou para o boteco que ficava na esquina da mesma rua da empresa. Conhecido como "Boteco da Teresa" era um bar totalmente feio e pequeno, a televisão ficava em um local baixo, era ruim assistir de longe, mas em compensação era um bar calmo e o café da Teresa, o melhor que já tomei.
Teresa já sabia o que eu queria, pedir, na maioria das vezes era perda de tempo. Ela sempre trazia aquele café quente e gostoso, dois marlboro e as vezes uma porção de pão de queijo.
Eu ficava na parte de fora do boteco, não queria que o cheiro do cigarro fosse motivo de inquietação alheia e críticas mentais.
Já estressado, eu tinha o prazer de assistir aquele noticiário que só passava desgraça, e por fim, aumentava meu estresse. O noticiário começava com notícia ruim, aliás começava e terminava. Minha cabeça logo esquentava com a falta de justiça desse país e os palavrões saiam, assustando quem tava por perto. Pra piorar, uma mulher senta em minha frente, cabeça explodiu, impulsividade chegou.
- Troca de lugar aí, não percebe que ta na minha frente, porra!
- Desculpa, não sabia que estava na frente!
No mesmo instante em que ela falava, eu tragava meu primeiro cigarro. Ao ouvir aquela voz, meu corpo travou e eu me engasguei, tive um ataque de tosse.
- Desse jeito vai longe hein. Disse a Teresa.
- Pois é! Já estou fodido mesmo.
Aquela moça me olhava com cara de pena, fiquei arrependido por ter sido ignorante e fui me desculpar.
- Boa noite, desculpa por eu ter te tratado daquela forma.
- Tudo bem, acontece.
- Qual seu nome?
- Aline e o seu?
- Renan, prazer! Posso sentar?
- Sem problemas.
Sentei-me na mesma mesa que ela, coloquei o outro cigarro na boca e quando eu ia acender, ela falou:
- Bem, pode sentar, desde que não fume!
Apaguei o fósforo e guardei o cigarro no bolso. Ficamos um bom tempo jogando conversa fora e em poucas horas, já sabíamos o gosto um do outro, nome completo, problemas e por aí vai. Mas como todo mundo tem horário, era hora de partir.
- Então, Renan, tenho que ir, foi bom te conhecer.
- Eu também tenho que ir, Aline, eu que tenho que falar isso.
A vontade de pedir seu número me consumia, mas quem era louco ao ponto de passar o número para uma pessoa que você acabou de conhecer?
Fui pra casa, deitei com aquilo na cabeça. No outro dia, fim de trabalho e boteco da Teresa. A perspectiva de que eu podia encontrá-la outra vez, era alta. A ansiedade por nada, me fez tragar 3 cigarros seguidos, e quando menos se esperava, olha quem aparece. Ela acenou quando me viu, pelo menos, podia classificar como "conhecidos" o nível dessa relação. Conversa vai, conversa vem e isso se tornou cotidiano, todos os dias, no mesmo horário, no boteco da Teresa, virou então "amizade".
Só que, o que eu sentia era mais que amizade, meu sentimento gritava o nome amor. O amor me deixa cego e me ilude, se ela me olha por um tempo longo, eu acho que ela ta querendo. Foi isso que eu achei, um dia eu perdi as forças e na hora ir embora, não resisti...
- Renan, hora de sair agora.
- Quero te dizer algo!
- Diga!
- Calma, preciso de coragem.
- Ah, Renan, assim você me deixa ner...
...A abracei e a beijei. Quando me dei conta do que eu tava fazendo:
- Desculpa, Aline.
Frustração me fez ter vontade de fumar 2 carteiras de marlboro. Me virei e fui embora, mas ela segurou meu braço, me puxou pra perto dela e me beijou.
- Renan?
- Aline?
- Faz um favor pra mim?
- Lógico!
- Faz de conta que isso tudo não aconteceu
Eu previa, não devia ter tomado essa atitude, vou perdê-la de todas as formas, podia tê-la como amiga, ela nunca iria saber, mas eu ia me sentir bem só por estar ao seu lado. Mas por que ela me beijou também?
- Sim, eu já imaginava que isso ia acon...
- Posso terminar? Disse ela me interrompendo.
- Desculpa, continue!
- Faz de conta que isso não aconteceu, e repete tudo amanhã? Quero sentir isso outra vez!
Fiquei lerdo, gaguejei pra responder:
- T-t-udo bem!
Ela beijou minha testa e foi embora. O que eu chamei de preciptação, me levou para o caminho desejado. Sento de novo na cadeira do boteco e grito a Teresa:
- Dona Teresa, o de sempre por favor!
# isso pode ter continuação. ou não!